segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
ARTIGO
A
Hora de Começar
Paiva
Netto
Em
6 de janeiro de 1948, “Dia de Reis Magos”, data de alto
significado místico-religioso, foi lançada a semente da Legião da Boa Vontade —
oficialmente fundada em 1o de janeiro de 1950. O
jornalista e radialista Alziro Zarur (1914-1979), na época, um
dos maiores nomes da radiodifusão brasileira, ao participar de uma reunião
mediúnica na Federação Espírita Brasileira (FEB), na cidade do Rio de
Janeiro/RJ, a convite de amigos, recebeu, por intermédio da respeitável sensitiva,
dona Emília Ribeiro de Mello, um recado que mudaria o destino dele
e, a partir dali, o de milhões de pessoas necessitadas de amparo espiritual e
humano: “Meu Irmão, São Francisco de Assis esteve todo
o tempo aí ao seu lado e manda dizer-lhe que é hora de começar".
“I
Fioretti”
Zarur
relata que, naquele tempo, morava com a mãe, Dona Ássima, no
Engenho de Dentro, de que guardava grandes recordações. Ele ia de bonde —
Piedade, 77 — estilo Bataclan. Então, naquela noite, eram quase 23 horas,
depois da sessão, foi refletindo assim: “Meu Deus do Céu! Tenho três
mil livros, e falta um de São Francisco de Assis! Como é que pode?! (...) Pois
bem, quando cheguei à minha casa, todos já estavam dormindo. Fui à minha
biblioteca e comecei a olhar livro por livro. De repente, vejo um volume
branco. Disse então: Que livro é este? Quando o puxei, estava escrito I
Fioretti, de Francisco de Assis. Mas quando o abri, foi o meu maior espanto,
pois lá estava escrito com a minha letra: ‘Alziro Zarur, 1933’. Vejam que coisa
espantosa! Eu tinha comprado aquele livro, e ele ficou, durante 15 anos, à
espera de que eu fosse [espiritualmente] chamado. Vejam que coisa miraculosa!
Como tudo já vem escrito! (...) Às 6 da manhã, terminei a leitura. Foram seis
horas de atenção absorvente. Mas quando acabei de ler a obra do nosso Patrono,
já me lembrava nitidamente do tratado Lá em Cima. A combinação era a LBV, era a
Religião do Novo Mandamento como denominador comum das Religiões Irmanadas. Por
isso, comecei a minha pregação exatamente com esta tese: não pode haver Paz
para o mundo se as religiões não tiverem Boa Vontade entre si próprias”.
Testemunho
de Chico Anysio
Uma
personalidade brasileira, entre outras, testemunhou a transformação ocorrida
com Zarur. O consagrado ator, humorista, escritor e pintor brasileiro Chico
Anysio (1931-2012). Em uma entrevista à Super Rede Boa Vontade de
Comunicação, revelou:
“Faço
parte também do seletíssimo grupo de pessoas para quem Alziro Zarur, pela
primeira vez, falou na Legião da Boa Vontade. Eu era radioator da Mayrink
Veiga; já tinha saído da Guanabara. O nosso diretor no radioteatro era Zarur.
Naquele dia, tínhamos ensaio de um capítulo de novela, devia ser umas seis e
meia [da tarde] quando ele chegou dizendo que havia recebido uma mensagem
divina. (...) E ninguém brincou, ninguém zombou. Todo mundo percebeu que havia
uma verdade grande nele, porque era uma pessoa muito séria; muito firme. Ele
não pôde realizar o ensaio. Urbano Lóes (1917-1980) assumiu seu
lugar no dia. E, depois do ensaio, nós todos fomos lá. Todo mundo gostava dele.
Havia um fogo queimando dentro do Zarur. Uma luz brilhava dentro dele, alguma
coisa. (...). Dali em diante, ele se transformou. Então, fui o primeiro a saber
disso”.
Esses
fatos nos convidam a refletir sobre a ação da Espiritualidade Ecumênica em
nossas vidas.
José de Paiva Netto, jornalista, radialista e
escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
ARTIGO
Direitos Humanos
e Deveres Espirituais
Paiva Netto
Em 10/12,
comemora-se oficialmente o 67o aniversário
da Declaração Universal dos Direitos Humanos, votada pela Assembleia-Geral das
Nações Unidas em Paris, no Palácio de Chaillot, no ano de 1948. Ela se tornou
uma das principais cartas que regem as nobres iniciativas da ONU, inspirando a
elaboração de outros importantes documentos e constituições, a exemplo da Carta
brasileira, proclamada em 1988, a “constituição cidadã”, na definição do
deputado Ulysses Guimarães (1916-1992), que presidiu a Assembleia
Nacional Constituinte.
O “Rascunho de
Genebra”
Eleanor Roosevelt (1884-1962),
viúva do presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt (1882-1945),
comandara desde janeiro de 1947 o Comitê dos Direitos Humanos, reunido pela
ONU, até a adoção dos 30 artigos naquele memorável dezembro de 1948.
Considerada a força motriz do projeto, dona Eleanor liderou um grupo com 18
integrantes de heterogênea formação cultural, política e
religiosa, elaborando o que ficou conhecido como o “Rascunho de Genebra”, em
setembro de 1948, apresentado e submetido à aprovação dos mais de 50 países
membros. É com grande orgulho que recordamos a participação do ilustre
jornalista brasileiro, meu dileto amigo, Austregésilo de Athayde (1898-1993), um
dos mais destacados colaboradores desse extraordinário trabalho. Ele também
ocupou a presidência da Academia Brasileira de Letras (ABL) e do Conselho de
Honra para a construção do ParlaMundi da LBV, em Brasília/DF.
A almejada
liberdade
Ao longo das
eras, o estudo do Direito foi sendo aperfeiçoado, a fim de dar garantias cada
vez mais sólidas à sociedade. O século 20, por exemplo, nos legou um imenso
aprendizado por meio de sucessivas conquistas civis.
Em homenagem a
tantos ativistas que, ao longo da História, almejaram liberdade e condições
dignas de vida, e em contribuição a tão significativo marco, trago-lhes trecho
de modesta palestra que proferi, publicada, entre outros, em Reflexões e Pensamentos
— Dialética da Boa
Vontade (1987) e no Manifesto
da Boa Vontade (21 de outubro de 1991):
Acreditar que
possa haver direitos sem deveres é levar ao maior prejuízo a causa da
liberdade. Importante é esclarecer que, quando aponto os deveres do cidadão
acima dos seus próprios direitos, em hipótese alguma defendo uma visão
distorcida do trabalho, em que a escravidão é uma de suas
facetas mais abomináveis.
Por isso,
queremos que todos os seres humanos sejam realmente iguais em direitos e
oportunidades, e cujos méritos sociais, intelectuais, culturais e religiosos,
por mais louvados e reconhecidos, não se percam dos direitos e liberdades dos
demais cidadãos. Porquanto, liberdade sem fraternidade é condenação ao caos.
Uma sociedade em
que Deus e Suas Leis de Amor e Justiça inspirem zelo à liberdade individual,
para garantir segurança política e jurídica a todos, como nos inspira o Natal
do Cristo de Deus. Falo do Criador Supremo, não do errôneo entendimento que
procura fazer Dele, que é Amor, instrumento execrável de fanatismo e tirania,
preconceito e ódio. Consequentemente, não me refiro ao deus antropomórfico,
caricato, criado à imagem e semelhança do homem imperfeito. (...)
As virtudes reais
serão aquelas constituídas pela própria criatura na ocupação honesta dos seus
dias, na administração dos seus bens e no respeito pelo que é alheio, na bela e
instigante aventura da vida. Uma nação que se faça de tais
elementos será sempre forte e inviolável.
Desejo que, em
pleno século 21, consigamos consolidar esses ideais e expandi-los aos povos da
Terra, para que sejam plenamente vivenciados. E jamais repetir o século 20
naquilo em que ele foi um fracasso.
José de Paiva
Netto, jornalista, radialista e escritor.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
ARTIGO
Legião da Boa
Vontade e a Ideologia do Bom Samaritano
Uma bela lição do
Cristo
Paiva Netto
Falando a uma simpática plateia, no ano de
1991, em Portugal, revelei-lhe que, ainda na minha meninice, a primeira notícia
pela qual tive conhecimento da Bíblia Sagrada, em particular a Boa Nova de
Jesus, veio por intermédio de meu saudoso pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000).
Ele me falou sobre uma comovente história contada ao povo pelo Cristo de Deus:
a Parábola do Bom Samaritano. E a leu para mim. A passagem se encontra no
Evangelho, segundo Lucas, 10:30 a 37. Disse Jesus:
“Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e
caiu nas mãos de salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o,
retiraram-se, deixando-o semimorto. Descia pelo mesmo caminho certo sacerdote;
e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo um levita chegando àquele lugar,
e, avistando o pobre homem, passou também de largo. Mas um samaritano, que ia
de viagem, chegou ao pé dele e, fitando-o, tomou-se de infinita compaixão; e,
aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e pondo-o
sobre um animal de sua propriedade, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No outro dia, partindo, tirou dois denários (antiga moeda romana), e deu-os ao
dono da hospedaria e lhe disse: Cuida bem deste ferido, e tudo o que de mais
gastares, eu te pagarei quando aqui voltar. Qual, pois, destes três — perguntou
Jesus ao homem da lei — te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos
dos salteadores? Ao que o doutor da lei lhe respondeu: Claramente o que usou de
misericórdia para com ele. Disse-lhe, então, calmamente Jesus: ‘Vai, pois, e
faze da mesma forma’”.
Ao reler a Parábola, medito, profundamente
tocado em minha Alma, sobre mais esta bela lição do Cristo Ecumênico, o Divino
Estadista, Aquele que se dispõe a socorrer a qualquer necessitado em suas
agruras, e que me despertou para o valor da Solidariedade, e me fez disposto,
de todo o coração, ainda adolescente, a participar dessa divina empreitada
(Legião da Boa Vontade) sem jamais dela desertar. Afinal, aprendemos com Jesus
a persistir até o fim: “Na vossa perseverança, salvareis as vossas almas” (Evangelho
de Jesus, segundo Lucas, 21:19).
Aliás, para os de Boa Vontade, ser tenaz no
Caminho do Senhor deve desenrolar-se além do chamado fim humano, porque a Vida
continua, pois os mortos não morrem. Nem os Irmãos ateus, entre os quais se
encontram criaturas de esmerada generosidade.
Agradecimento
Meus sinceros agradecimentos a todos os que
têm colaborado pelo sucesso da LBV: os seus voluntários e contribuintes. Nosso
muito obrigado, também, às autoridades, religiosos, ateus, artistas, à mídia.
Enfim, a todas as criaturas de Boa Vontade que nos ajudam. Aos mantenedores do
Clube Cultura de Paz, meu incentivo.
José de Paiva
Netto, jornalista, radialista e escritor.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
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