terça-feira, 8 de agosto de 2017

ARTIGO

A Caridade pura não aceita o egoísmo


Paiva Netto

Quem se integra no verdadeiro espírito da Caridade não mais aceita o egoísmo. Deus é quem nele habita. E este sentido de Fraternidade, Solidariedade, Generosidade, que é Deus, vive em todos e por todos os seus Irmãos em humanidade. Disse o Buda (aprox. 556-486), o iluminado mentor que nasceu na Índia: "O sofrimento é universal; a causa do sofrimento são os desejos egoístas; a cura do sofrimento está em libertar-se dos desejos; o modo de livrar-se dos desejos é através de uma perfeita disciplina mental".
Deus é Caridade. Em sua Primeira Epístola, 4:8 e 16, João Evangelista explica que “Deus é Amor”. Ora, Caridade é sinônimo de Amor. Todos precisam dele, o mundo necessita de Caridade. Eis a Estratégia Divina para a perfeita condução dos povos, quando os seres humanos alcançarem que Política plena é aquela que, cuidando do cidadão, infere que este, além de corpo, também possui Alma. Diante desse Ser completo, teremos uma nação integrada na Solidariedade Ecumênica, portanto Social, Altruística. Quando isso ocorrer, o sofrimento, incluído o psíquico, passará ao largo. Afinal, vivemos o terceiro milênio. Algo terá de mudar, nem que demore mil anos.

 

Erigir um Império de Boa Vontade

A Caridade, na sua expressão mais profunda, deveria ser um dos principais estatutos da Política, porque não se restringe ao simples e louvável ato de dar um pão. É o sentimento que — iluminando a Alma do governante, do parlamentar e do magistrado — conduzirá o povo ao regime em que a Solidariedade é a base da Economia, entendida no seu mais amplo significado. Isso exige uma reestruturação da Cultura, por intermédio da Espiritualidade Ecumênica e da Pedagogia do Afeto, no meio popular e como disciplina acadêmica. Contudo, no campo intelectual, que o seja sem qualquer tipo de preconceito que reduza, em determinadas ocasiões, a perspectiva de grandes pensadores analíticos, pelo fato de alguns deles se submeterem a certos dogmatismos ideológicos e científicos, o que é inconcebível partindo de mentes, no supino, lucubradoras. Até porque a Ciência é pródiga em conquistas para o bem comum. Mas também, no seio dela, houve os que muito sofreram incompreensão, por causa do convencionalismo castrador, mesmo de certos pares que apressadamente os prejulgavam. Vítimas deles foram Sócrates, Bias, Baruch Spinoza, Dante Alighieri, Galileu Galilei, Semmelweis, William Harvey, Samuel Hahnemann, Maria Montessori, Luiza Mahin, dr. Barry J. Marshall, dr. J. Robin Warren e outros nomes célebres, universalmente acatados.
Em suma, a Caridade, sinônimo de Amor, é uma Ciência especial, a vanguarda de um mundo em que o ser humano será tratado como merece: de forma humana, portanto, civilizada. Estaríamos, assim, erigindo um Império de Boa Vontade neste planeta, o estado excelente para o Capital de Deus, que circula por todos os cantos e não mais pode aceitar especulação criminosa de si mesmo. (...)
Esta ponderação da educadora e escritora brasileira Cinira Riedel de Figueiredo (1893-1987) vem ao encontro do que anteriormente abordamos: “De cada homem e cada mulher depende o aprimoramento de tudo quanto nasce, cresce, vive e se transforma sobre a Terra, porque, de fato, nada morre. Existe uma contínua transmutação, e devemos ser os guias para que essa transformação se faça uma ascensão constante, tornando-se cada vez mais bela e mais perfeita para representar melhor a vida que a anima”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com

LBV

LBV oferece atividades gratuitas para crianças e adolescentes
O Centro Comunitário da Legião da Boa Vontade (LBV) em Nova Friburgo, está com inscrições abertas para o programa: Criança – Futuro no Presente!, oferecendo atividades gratuitas como: oficina de informática, atividades lúdicas, educativas e culturais como aula de flauta doce e esportes para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos, integrantes de famílias de baixa renda, auxiliando pais e responsáveis que não têm onde deixar os filhos. Essa iniciativa visa despertar competências e habilidades, fortalecendo os vínculos familiares.
A Legião da Boa Vontade (LBV), por intermédio de seus programas socioeducacionais, promove diversas ações que resgatam a autoestima e desenvolvem talentos, mudando para melhor a vida de crianças, adolescentes, adultos e idosos.
Não perca tempo! Vagas limitadas para o período da manhã.


O Centro Comunitário de Assistência Social da LBV, em Nova Friburgo, está localizado na Rua Júlio Antonio Thurler, 04 - Olaria. Telefone para informações (22) 2522-5078.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

LBV

LBV oferece oficina de Alfabetização de Adultos
Rio de Janeiro - A Legião da Boa Vontade prestam relevante auxílio às famílias em situação de pobreza. A Instituição desenvolve os programas Criança: Futuro no Presente!, Vida Plena, Cidadão-Bebê e Capacitação e Inclusão Produtiva, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos atendidos.
O programa Vida Plena contribui para a inserção sociocultural e o fortalecimento da cidadania de idosos (com idade igual ou superior a 60 anos), por meio de atividades que colaboram no processo de envelhecimento saudável, no desenvolvimento da autonomia, socialização e fortalecimento dos vínculos familiares, interpessoais e intergeracionais.
No Centro Comunitário de Assistência Social, da LBV, da cidade do Rio de Janeiro, acontece, gratuitamente, a oficina de Alfabetização de Adultos, oferecendo a oportunidade das pessoas retomarem aos estudos, pois nunca é tarde para retornar aos bancos escolares, seja para se qualificar, seja para exercitar a saúde mental ou mesmo, como forma de melhorar a qualidade de vida.
Desafios da alfabetização de adultos
“Muitos nunca estudaram ou deixaram de estudar por alguma impossibilidade e retornaram aos estudos, mas com problemas de aprendizagem. Outros criam bloqueios na questão da aprendizagem, achando que não são capazes. O desafio de alfabetizá-los devido à essas limitações que os adultos impõem. Trabalhar em primeiro lugar, a questão da auto-estima, se reconhecer como cidadão para não ser desvalorizado no mundo, dentro da sociedade”, detalhou Maria Tereza Diniz, pedagoga e professora voluntária da LBV.
Superação e crescimento
Com um histórico de vida bastante sofrido, deficiência física, maus tratos na infância e na juventude, o artesão Cosme da Silva Lima, de 47 anos, um dia passou em frente à LBV e viu que havia um novo projeto gratuito oferecido à comunidade – Alfabetização de Adultos. Entusiasmado, procurou informações sobre o curso e tratou logo de se inscrever, mesmo já tendo as séries iniciais do ensino fundamental. Ele vislumbrou um novo começo em sua vida pessoal, profissional e emocional, e além do EJA, hoje faz psicoterapia com a psicóloga da LBV para lidar com suas emoções e encontrar um novo sentido para sua vida. “Quando passei em frente à LBV, me deu vontade de voltar a estudar. Um dia passei e vi que tinham cursos, curso de alfabetização e me interessei para complementar o que esqueci. Só sei ler e escrever, mas esqueci muita coisa, agora já estou bem atualizado, a professora é ótima. Já estou relembrando e atualizando tudo, a leitura, a escrita e graças a Deus estou tendo um bom desempenho.” É uma ótima Instituição e acho um ponto de vista maravilhoso. Agradeço bastante por existir essa Instituição” , disse o artesão.
Visite, apaixone-se e ajude a LBV!

O Centro Comunitário de Assistência Social da LBV está localizado na Av. Dom Hélder Câmara, 3214 – Del Castilho. Informações pelo telefone: (21) 2241-2020.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

ARTIGO


“E a jangada voltou só”

Paiva Netto

Nas belas paragens de Itapuã, na Bahia, vê-se ao longe uma jangada. Silenciosa, vai sumindo no horizonte, conduzida por um simpático ancião de cabeça toda branca, sereno, a cantar uma melodia que parece acompanhar o ritmo das ondas:

“A jangada saiu/ Com Chico Ferreira/ E Bento.../ A jangada voltou só...
“Com certeza foi, lá fora,/ algum pé-de-vento.../ A jangada voltou só.../ Chico era o boi do rancho/ Nas festas de Natá/ Não se ensaiava o rancho/ Sem com Chico se contá./ E agora que não tem Chico/ Que graça que pode ter?.../ Se Chico foi na jangada.../ E a jangada voltou só...
“A jangada saiu...
“Bento cantando modas/ Muita figura fez/ Bento tinha bom peito/ E pra cantar não tinha vez/ As moças de Jaguaripe/ Choraram de fazer dó/ Seu Bento foi na jangada/ E a jangada voltou só...”

Essa é uma das imagens que sempre na Alma guardarei do famoso cantor, poeta, compositor e violonista baiano Dorival Caymmi, que voltou à Pátria Espiritual em 16 de agosto de 2008, na cidade do Rio de Janeiro. Mais vivo do que nunca, pois os mortos não morrem, passa a fazer parte de um time de estrelas que já contava com a presença de Jorge Amado, Carmen Miranda, Tom Jobim, Cartola, Herivelto Martins e Dalva de Oliveira (saudosos pais do amigo Pery Ribeiro), além de tantos outros valores inestimáveis da cultura brasileira. Aliás, Pery e também Nonato Buzar, ambos também hoje na Pátria da Verdade, estiveram no cemitério São João Batista, para homenagear o grande ícone da música nacional.

 

Vidas cruzadas

Em diversas oportunidades, inclusive neste espaço, comentei o fato de esse extraordinário músico ter sido decisivo na aproximação de meus pais, escolhido por eles como padrinho de casamento. Passei a infância e a mocidade ouvindo e cantando Caymmi lá em casa.
A dedicatória que recebi da amável Stella, neta dele, em sua obra Dorival Caymmi – O mar e o tempo, fala-nos dessa amizade: “Querido Paiva Netto, a história de teu pai se cruza com a de meu avô. Que você curta muito o meu livro, beijos, Stella”.
Ainda nessa biografia, há o seguinte registro da autora: “(...) o jornalista e radialista Alziro Zarur (1914-1979) – futuro fundador da Legião da Boa Vontade – escreveu uma nota em que afirmava, com certo exagero, que, ‘se não houvesse balangandãs, torço de seda, e se não houvesse Dorival Caymmi, não haveria Carmen Miranda nem seu sucesso nos Estados Unidos’”.
Na necrópole, fiz questão de levar minha solidariedade aos filhos do inesquecível Caymmi: Dori, Danilo e Nana. Ao abraçar carinhosamente a querida Nana, pedi a Deus que enviasse também as melhores vibrações de fraternidade aos demais familiares de nosso amigo: sua amada esposa, dona Stella Maris, os netos e bisnetos do exemplar casal.
A jangada “voltou só”, mas Caymmi prossegue navegando pelos mares do universo. E os bons Espíritos, nossos Anjos Guardiães, se incumbirão sempre de bem cuidar dele no Céu.

 

Lembrança de Getúlio Vargas

No meu livro Crônicas e Entrevistas, da Editora Elevação, conto que, em 24 de agosto de 1954, era eu um adolescente. Saía sempre cedo para estudar. Naquele dia, de súbito, uma professora, com os olhos esbugalhados, irrompe sala adentro. Chorosa, grita: “Aconteceu uma coisa horrível! Getúlio se suicidou!”
Um raio caiu sobre todos nós, meninos e meninas que estudávamos. As classes foram dispensadas. No país, salvo as exceções de praxe, paixões e baixezas políticas provisoriamente esquecidas. Os homens lembraram-se de que são humanos. Fui andando pela Dias da Cruz, no bairro carioca do Méier, enquanto pensava, como pensava um menino de 13 anos naquele tempo... Havia uma indescritível angústia no ar. Aquela rua tão bela quedava sombria, apesar da claridade matutina. Era a consternação das Almas...

 

Tudo passa. Mas o povo permanece.

Quantas vezes a população expressa mais refinado sentimento do que os seus condutores! Muitos rostos apareceram chorando pelas calçadas. E eu pensava, como pensava um menino de 13 anos naquele tempo... Que será do meu país daqui pra frente?!
Depois de vários minutos meditando sobre a tristeza geral e a dor da família Vargas, olhei para o alto e disse de mim para comigo mesmo: Por mais cruel que seja o sofrimento, a vida continua!... Por mais importante que seja um homem, não é maior do que a sua pátria. Tudo passa. Mas o povo permanece (...).
Transcorridos alguns dias, uns debochados surgiram com uma brincadeira fora de hora: “Essa droga de país só tem um jeito! Vamos provocar uma guerra com os estrangeiros... Aí eles vêm, ganham, e estarão resolvidos os nossos problemas...”. Cinismo puro! Ainda bem que a elite de uma nação é o seu povo.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@lbv.org.br – www.boavontade.com