sexta-feira, 20 de abril de 2018

Artigo



A Fé é o combustível das Boas Obras

Paiva Netto

Em uma palestra que proferi de improviso no Rio de Janeiro/RJ, em 5 de julho de 1991, asseverei que a Fé é o combustível das Boas Obras; portanto, do trabalho. Tantos anos se passaram, e essa frase continua cumprindo o papel de fortalecer os corações. É como a prece. Ela é necessária a todo instante, porque a Alma, assim como o corpo, necessita de alimento. O que sustenta o Espírito é justamente a oração. O Amor que vem de Deus é resultado de nossa permanente sintonia com o Pai Celestial. Mas é preciso não esmorecer ante as intempéries da existência. É de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, este incentivo basilar: “Aquele que perseverar até ao fim será salvo” (Evangelho, segundo Mateus, 10:22).

Oração do trabalhador
Pelo ensejo do Dia Mundial da Boa Ação, comemorado em 19 de março, dedico aos operários da Terra e do Céu da Terra, que dedicam suas vidas à construção de “um mundo melhor e uma Humanidade mais feliz” — já que os mortos não morrem — a “Oração do Trabalhador”, de autoria do nobre “Médico dos Pobres”, dr. Bezerra de Menezes (1831-1900), Espírito, por intermédio da sensitiva Maria Cecília Paiva, constante do livro Veleiro de Luz:

“Senhor, nossos corações reunidos aos corações que oram e trabalham em Teu Nome entoam o cântico de amor e de felicidade que nos invade a Alma.

“Humildes trabalhadores de Tua Seara, somos ainda os pequeninos aprendizes do Teu Evangelho que nos esclarece para a longa jornada do infinito.

“Louvamos a Tua Grandeza que estende mãos generosas à nossa debilidade, amparando-nos para que possamos exercer o Divino Mandato que nos confiaste.

“Nós Te louvamos o nome sagrado que imprime em nossas vidas a força necessária para empunharmos a enxada do trabalhador consciente de sua responsabilidade.

“Nós Te agradecemos as bênçãos generosas que deixas em nossos caminhos como frutos sazonados do Teu Amor, ofertando-nos vitalidade maior.

“Nós Te suplicamos, Senhor, que não nos deixes viver ao som das trombetas da vaidade, ou ao som dos elogios fáceis.

“Sabemos, Divino Mestre, quão pequenos e frágeis somos e quão necessárias são as Tuas Bênçãos para o nosso fortalecimento.

“Reergue-nos, Senhor, quando fraquejarmos.

“Inspira-nos nos momentos difíceis.

“Ampara-nos hoje e sempre.

“Que os dias de trabalho que Te ofertamos sejam iluminados pelas Auras de Teus Anjos, a fim de que aqueles que se aproximarem de nós recebam a gota de orvalho que balsamiza e cura.

“Não nos deixes entregues ao orgulho que ainda vive em nosso íntimo e permite que, humildes trabalhadores de hoje, possamos prosseguir sempre, rumo aos mais altos planos, amando-Te e servindo sempre em Teu Nome.

“Anjo de Deus, envolve-nos na Tua Luz, e, estrada afora, cantaremos glórias ao Teu Nome para sempre!”

Belíssima oração! Faz bem à Alma. Espiritualidade Ecumênica é para isso: fortalecer, com as bênçãos dos Céus, o nosso Espírito. Portanto, muito oportuna esta palavra do meu saudoso amigo ex-presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL) Austregésilo de Athayde (1898-1993): “A verdadeira religião ensina, orienta, edifica, porém não ameaça. A infinita bondade de Deus não pode ser clava mortal para os pecadores”.

Um mundo melhor
A edição 234 da revista BOA VONTADE (março de 2013) trouxe este destaque da palavra do vocalista do grupo Nenhum de Nós, Thedy Corrêa: “A LBV faz um trabalho sensacional, porque muitas pessoas têm dificuldade de enxergar esta possibilidade: a de que existe um mundo melhor... e a LBV mostra isso a elas”.

Grato ao generoso povo brasileiro, que tem tornado possíveis essas ações de Boa Vontade com seu imprescindível apoio.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

terça-feira, 17 de abril de 2018

Artigo



A Carta do Chefe Seattle
Paiva Netto

Atendendo a pedidos de leitores que nos acompanham em diversos jornais do país, trago texto que transcrevi na minha série de artigos, publicados no jornal Folha de S.Paulo, durante o ano de 1986. Sei de muitos amigos — do rádio, da imprensa, da televisão, da internet e de defensores da Mãe Natureza — que gostariam de possuir a famosa carta do Chefe Seattle (1787-1866).

Recebi, em 1986, do jornalista Walter Periotto, então embaixador da LBV dos Estados Unidos, esta página sobre a qual muita gente já ouviu falar, mas que ainda não teve oportunidade de conhecer. Trazemos hoje, à meditação de todos, este documento:

“Quem é dono do céu, do brilho das águas?”
(Tradução do texto considerado autêntico da Carta do Chefe Seattle, que, em 1855, respondeu à proposta dos Estados Unidos da América de comprar a terra dos índios. O texto procede do UNEP — Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.)

“Como podeis comprar ou vender o céu, a tepidez do chão? A ideia não tem sentido para nós.

“Se não possuímos o frescor do ar ou o brilho da água, como podeis querer comprá-los?

“Qualquer parte desta terra é sagrada para meu povo. Qualquer folha de pinheiro, qualquer praia, a neblina dos bosques sombrios, o brilhante e zumbidor inseto, tudo é sagrado na memória e na experiência de meu povo. A seiva que percorre o interior das árvores leva em si as memórias do homem vermelho.

“Os mortos do homem branco esquecem a terra de seu nascimento quando vão pervagar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta terra maravilhosa, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumosas são nossas irmãs; os gamos, os cavalos, a majestosa águia, todos são nossos irmãos. Os picos rochosos, a fragrância dos bosques, a energia vital do pônei e o homem, tudo pertence a uma só família.

“Assim, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossas terras, ele está pedindo muito de nós. O Grande Chefe manda dizer que nos reservará um sítio onde possamos viver confortavelmente por nós mesmos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Se é assim, vamos considerar a sua proposta sobre a compra de nossa terra. Mas tal compra não será fácil, já que esta terra é sagrada para nós.

“A límpida água que percorre os regatos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vos vendermos a terra, tereis de vos lembrar que ela é sagrada, e deveis lembrar a vossos filhos que ela é sagrada, e que qualquer reflexo espectral sobre a superfície dos lagos evoca eventos e fases da vida de meu povo. O marulhar das águas é a voz dos nossos ancestrais. Os rios são nossos irmãos, eles nos saciam a sede. Levam as nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra a vós, deveis vos lembrar e ensinar a vossas crianças que os rios são nossos irmãos, vossos irmãos também, e deveis a partir de então dispensar aos rios a mesma espécie de afeição que dispensais a um irmão.

“Nós sabemos que o homem branco não entende o nosso modo de ser. Para ele um pedaço de terra não se distingue de outro qualquer, pois é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo de que precisa. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga; depois que a submete a si, que a conquista, ele vai embora, à procura de outro lugar. Deixa atrás de si a sepultura de seus pais e não se importa. Sequestra os filhos da terra e não se importa. A cova de seus pais e a herança de seus filhos, ele as esquece. Trata a sua mãe, a terra, e a seu irmão, o céu, como coisas a serem compradas ou roubadas, como se fossem peles de carneiro ou brilhantes contas sem valor. Seu apetite vai exaurir a terra, deixando atrás de si só desertos. 

“Isso eu não compreendo. Nosso modo de ser é completamente diferente do vosso. A visão de vossas cidades faz doer aos olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e como tal nada possa compreender.

“Nas cidades do homem branco não há um só lugar onde haja silêncio, paz. Um só lugar onde ouvir o farfalhar das folhas na primavera, o zunir das asas de um inseto. Talvez seja porque sou um selvagem e não possa compreender.

“O barulho serve apenas para insultar os ouvidos. E que vida é essa onde o homem não pode ouvir o pio solitário da coruja ou o coaxar das rãs à margem dos charcos à noite? O índio prefere o suave sussurrar do vento esfrolando a superfície das águas do lago, ou a fragrância da brisa, purificada pela chuva do meio-dia ou aromatizada pelo perfume das pinhas.

“O ar é precioso para o homem vermelho, pois dele todos se alimentam. Os animais, as árvores, o homem, todos respiram o mesmo ar. O homem branco parece não se importar com o ar que respira. Como um cadáver em decomposição, ele é insensível ao mau cheiro. Mas, se vos vendermos nossa terra, deveis vos lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar insufla seu espírito em todas as coisas que dele vivem. O ar que nossos avós inspiraram ao primeiro vagido foi o mesmo que lhes recebeu o último suspiro.

“Se vendermos nossa terra a vós, deveis conservá-la à parte, como sagrada, como um lugar onde mesmo um homem branco possa ir sorver a brisa aromatizada pelas flores dos bosques.

“Assim consideraremos vossa proposta de comprar nossa terra. Se nos decidirmos a aceitá-la, imporei uma condição: o homem branco terá de tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

“Sou um selvagem e não compreendo de outro modo. Tenho visto milhares de búfalos a apodrecerem nas pradarias, deixados pelo homem branco que neles atira de um trem em movimento. Sou um selvagem e não compreendo como o fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante que o búfalo, que nós caçamos apenas para nos manter vivos.

“Que será do homem sem os animais? Se todos os animais desaparecessem, o homem morreria de solidão espiritual. Porque tudo que aconteça aos animais pode afetar os homens. Tudo está relacionado.

“Deveis ensinar a vossos filhos que o chão onde pisam simboliza as cinzas de nossos ancestrais. Para que eles respeitem a terra, ensinai a eles que ela é rica pela vida dos seres de todas as espécies. Ensinai a eles o que ensinamos aos nossos: que a terra é a nossa mãe. Quando o homem cospe sobre a terra, está cuspindo sobre si mesmo.

"De uma coisa temos certeza: a terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra. Disso temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado.

“O que fere a terra fere também os filhos da terra. O homem não tece a teia da vida; é antes um de seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.

“Mesmo o homem branco, a quem Deus acompanha, e com quem conversa como amigo, não pode fugir a esse destino comum. Talvez, apesar de tudo, sejamos todos irmãos. Nós o veremos. De uma coisa sabemos — e que talvez o homem branco venha a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Podeis pensar hoje que somente vós O possuís, como desejais possuir a terra, mas não podeis. Ele é o Deus do homem e Sua compaixão é igual tanto para o homem branco quanto para o homem vermelho. Esta terra é querida Dele, e ofender a terra é insultar o seu Criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminai a vossa cama, e vos sufocareis numa noite no meio de vossos próprios excrementos.

“Mas no vosso parecer, brilhareis alto, iluminados pela força do Deus que vos trouxe a esta terra e por algum favor especial vos outorgou domínio sobre ela e sobre o homem vermelho. Este destino é um mistério para nós, pois não compreendemos como será no dia em que o último búfalo for dizimado, os cavalos selvagens domesticados, os secretos recantos das florestas invadidos pelo odor do suor de muitos homens e a visão das brilhantes colinas bloqueadas por fios falantes. Onde está o matagal? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. O fim do viver e o início do sobreviver”.

Respeitável exemplo
Quanta sabedoria e humanidade no pensamento de um homem considerado selvagem!...

Que elas não falhem nos civilizados, quando enlouquecidos pela cegueira de domínio, a qualquer preço, dos seus semelhantes. 

A Mãe Terra talvez não suporte nossas travessuras de “macacos em loja de louças”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.


domingo, 15 de abril de 2018

LBV

Uma grande chance para o jovem
Com o apoio do programa Aprendiz da Boa Vontade, da LBV, no RJ, jovem conquista primeiro emprego com carteira assinada em empresa automobilística.
Preparar jovens e adolescentes, entre 14 a 24 anos, para a inserção ao mercado de trabalho, potencializar talentos, desenvolver habilidades e competências, são alguns dos objetivos do programa Aprendiz da Boa Vontade, da LBV, que também acontece no Rio de Janeiro.
Nos últimos meses, 68 aprendizes do programa da LBV foram efetivados no Brasil, em empresas parceiras. No Rio de Janeiro, o Aprendiz da Boa Vontade realiza cursos e inserção profissional nas seguintes áreas de Administração, Varejo, Mecânico e Indústria Alimentícia. Após a inserção no programa, muitos jovens têm a oportunidade de conseguir vagas em empresas parceiras e até mesmo de serem efetivados pelas mesmas.
Nós vamos conhecer a história do jovem Leonardo Barbosa de Sousa, de 19 anos, morador de Heliópolis, Belford Roxo, Baixada Fluminense, que com ajuda da Legião da Vontade conquistou seu primeiro emprego.
Primeiro contato com a LBV
A mãe de Leonardo, Kátia Laís Barbosa de Souza, cuidadora de idosos, percebeu as habilidades do filho que já trabalha com a família em uma oficina e enxergou a possibilidade de aperfeiçoamento numa área do seu interesse, e ele gostou. “Entrei no programa no início do ano, 22 de janeiro, foi pela internet. Minha mãe fez meu cadastro, porque nessa época, já trabalhava o dia inteiro em oficina, e ela queria que eu trabalhasse de carteira assinada. (...) Convivo em oficina, desde bem novo porque meu pai é lanterneiro e pinto, tinha uma oficina no quintal da minha casa. Eu cresci vendo isso, tendo uma base e o ajudava. Depois fui me aperfeiçoando com a família, mas nada de carteira assinada, só aprendendo a profissão. Estou cursando o 3º ano do ensino médio, porque num determinado período da minha vida, tive que me dedicar mais ao trabalho para ajudar a família e acabei, erroneamente, deixando a escola de lado. Mas estou recuperando esse tempo perdido e estou conseguindo.”
Grande chance para o jovem
“Minha área é pintura. Eu fazia curso de mecânica no programa Aprendiz, e graças à LBV, tive essa grande chance de ser contratado pela empresa, graças a Deus aproveitei e agora é só vitórias na minha vida.”
O convívio com professores e amigos do Aprendiz da Boa Vontade
“O programa da LBV contribuiu muito para minha evolução, convivi lá com pessoas maravilhosas, mesmo que por pouco tempo, deu pra conhecer legal. O professor Marcos, só tenho a agradecer a ele por todos os conselhos, toda ajuda que sempre me deu, estendeu a mão, ele explica muito bem. Não é só professor, se torna amigo da gente, tínhamos admiração e respeito. A Leila, sempre muito paciente e agradável, não tenho nada o que reclamar. Esse curso foi muito bom na minha vida e acredito que vai ser bom por muito tempo na vida de muitos jovens, fiz muitas amizades com objetivo de crescer na vida. Dá a chance pra muitos jovens. Tenho contato com muitos amigos, com todos da sala. Fui acolhido muito bem, desde quando cheguei lá até a minha saída”, pontuou.
A conquista do primeiro emprego e planos para o futuro
Na empresa Kobi Honda, após participar do programa Aprendiz da Boa Vontade, o jovem Leonardo, após pouco tempo, foi efetivado para o cargo de pintor com carteira de trabalho assinada. Ele fala dos seus objetivos futuros: “Meu objetivo atual é me aperfeiçoar cada vez mais na minha profissão, conseguir atingir um nível bem elevado, onde eu possa ser um profissional de excelência, contribuir com a minha empresa, com os amigos de trabalho. O meu objetivo é na pintura, o trabalho na oficina me levar à faculdade, poder me dar uma base para continuar estudando. Esse ano termino os estudos e ano que vem já tenho algumas opções de universidade em mente.”
Primeira experiência profissional e apoio à família
Com a conquista do primeiro emprego de carteira assinada, o jovem está recebendo a oportunidade de construir uma realidade melhor para ele e seus famílias, com seu próprio esforços, viver novas experiências e participar ativamente da sociedade. “ Minha relação lá na empresa é muito boa, estou com um entrosamento legal. Já vai fazer três meses dia 22 de abril, já tenho uma relação profissional muito boa desde o gerente, supervisor, a rapaziada da mecânica, da pintura, todos são bem unidos. Esse emprego vai me ajudar muito, era a oportunidade que eu queria, ter um trabalho com carteira assinada para poder ajudar minha família e conseguir conquistar minhas metas de vida.”
Agradecimento à oportunidade única proporcionada pela LBV
“Muito obrigado a todos, desde a tia da cantina, professores, direção, coordenação. Todo mundo contribuiu muito para tudo e me acolheram de braços abertos. Tenho certeza, que esse projeto vai ajudar muitos jovens como eu, vai melhorar a vida de muita gente, com certeza. Isso é uma oportunidade única que temos que aproveitar na nossa vida. Está tão difícil a situação do nosso povo e temos que agarrar todas as chances que temos na vida. Ali é um ponto inicial muito bom, uma base muito boa, uma estrutra ótima, tem tudo pra dar certo. Só tenho que agradecer a todos”, concluiu agradecido.
Aprendiz da Boa Vontade
Ajude seu filho, filha, conhecido a começar um caminho profissional.
Se há interesse nas vagas, envie seu currículo para aprendizagem@lbv.org.br. Informações, acesse www.lbv.org/aprendiz.