Centro gravitacional
Paiva Netto
A Caridade é o centro gravitacional
da consciência ideológica, portanto, educacional, política, social, filosófica,
científica, religiosa, artística, esportiva, doméstica e pública do Cidadão
Espiritual, de modo que — se o ser humano não tiver compreensão dela — deve
esforçar-se para entendê-la, a fim de que venha a subsistir em sua própria
intimidade. Não há céu mais auspicioso do que o coração, quando iluminado pelas
forças do Bem. A Caridade é o divino sentimento que nos mantém vivos. Por toda
a existência, mormente na hora da dor, ao invés de lamentações, não nos
esqueçamos dela e a pratiquemos com devoção. Trata-se de um grande medicamento
para a Alma.
O saudoso fundador da Legião da Boa
Vontade Alziro Zarur (1914-1979)
poetizou, com esta máxima, uma verdade flagrante: “A vibração do ódio destrói o corpo humano, que foi feito para vibrar
na Lei do Amor”.
A Caridade é a prova do poder do
Espírito de construir promissoras épocas para os cidadãos de todo o planeta.
Não há maior inspiração para a boa política do que ela. Absurdo?! O tempo
mostrará que não. Aliás, já está mostrando.
Essa
ignorância, tantas vezes sofisticada, acerca de seu abrangente valor pode
mostrar-se arrogante a respeito do significado lato sensu da Caridade e de sua eficiência na vida cotidiana
de homens, povos e nações. Esse desconhecimento tem redundado nos tropeços de
muita ideologia que intentou — com resultados aquém dos prometidos — corrigir a
conjuntura de miséria abjeta, que massacra populações imensas. E, ao me
reportar à miséria, não falo apenas de penúria social, mas espiritual, moral,
mental, do intelecto. A observação dos padecimentos humanos, quando à
distância, pode levar alguém a erigir uma quimera, apesar de sua grande
erudição. Isso, por falta daquela sabedoria comum aos mais simples, alcançada
na peleja do labor constante, para usufruir de condições mínimas de vida,
diante dos embates do dia a dia, a fim de, por exemplo, sustentar a família. A
teoria, na prática, nem sempre é a mesma coisa, pois a todo instante se é
afrontado por fatos repentinos. A sabedoria que vem dos milênios irá revelando
que, ao patrimônio acadêmico, deve juntar-se a instrução suprema nascida do
aprendizado do sofrimento das multidões. O homem da rua tem muito a ensinar às
suas elites.
José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.