sexta-feira, 28 de agosto de 2015

ARTIGO






Saudar além dos irmãos

Paiva Netto

Há tempos observo-lhes que a miscigenação do mundo é inevitável. Da mesma forma, destaco que o Ecumenismo dos corações é o bom futuro da Humanidade.
As criaturas não sobrevivem no isolamento. A confraternização geral é um legítimo anseio que ignora fronteiras e segue unindo, apesar dos pesares, etnias, filosofias, religiões, pátrias, enfim, seres humanos e espirituais. Em Sua passagem pela Terra, Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, testemunhou, a todo momento, que esse é o caminho. Uma de suas frases didáticas ilustra bem isso: “Se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais?” (Evangelho, segundo Mateus, 5:47).
Nosso país, ainda que precise avançar muito, incentiva e trabalha pelo respeito às diferenças. Merece, portanto, relevância iniciativas dedicadas a tão nobre finalidade.
A luta histórica de Zumbi dos Palmares (1655-1695) prossegue, alcançando crescente vitória nas consciências. O mundo se tornará mais feliz à medida que seus habitantes, sem exceção, receberem o devido apoio e usufruírem da liberdade seguramente adjetivada como responsável.

Identificando o preconceito
Um importante passo para que haja fraternidade mútua é o reconhecimento do preconceito, às vezes velado, que a maioria nem percebe que pratica.
Durante sua participação no programa Conexão Jesus, da Boa Vontade TV (canal 20 da SKY), o professor doutor Kabengele Munanga, antropólogo do Centro de Estudos Africanos da Universidade de São Paulo (USP), comentou: “Como o próprio termo diz, preconceito é um julgamento preconcebido sobre os outros, os diferentes, sobre os quais não temos, na realidade, um bom conhecimento. O preconceito é um dado praticamente universal, porque todas as culturas o produzem. Não há uma sociedade que não se defina em relação às outras. E, nessa definição, nos colocamos numa situação, achando que somos o centro do mundo: a nossa cultura é a melhor, a nossa visão do mundo é a ideal, a nossa religião é a melhor. Assim, julgamos os outros de uma maneira negativa, preconcebida, sem um conhecimento objetivo. A matéria-prima do preconceito é a diferença”.
Aliás, em Reflexões da Alma (2003), reafirmei que racismo é obscenidade (assim como preconceitos sociais, religiosos, científicos ou de qualquer outra espécie). Vai solapando não somente os esforços da etnia negra, mas também dos brancos pobres, dos índios, dos imigrantes... É preciso erradicá-lo, pois em seu bojo surgem os mais tenebrosos tipos de perseguição, que vêm dificultando o estabelecimento da Paz no planeta.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

terça-feira, 11 de agosto de 2015

artigo



Jesus e Seu Pai

Paiva Netto

No segundo domingo de agosto, celebramos o Dia dos Pais. Que alegria! Como são importantes esses benfeitores em nossas existências! 
Considero oportuno apresentar-lhes trechos de uma página digna da admiração de todos. Seu autor, o Espírito Emmanuel, foi buscar no Evangelho do Cristo um excelente modelo para nós. Por intermédio do mundialmente famoso médium Chico Xavier (1910-2002), ele exalta a relevância que teve o bem-aventurado pai de Jesus na Terra. 
“José da Galileia foi um homem tão profundamente espiritual que seu vulto sublime escapa às análises limitadas de quem não pode prescindir do material humano para um serviço de definições.
“Já pensaste no cristianismo sem ele?
“Quando se fala excessivamente em falência das criaturas, recordemos que houve tempo em que Maria e o Cristo foram confiados pelas Forças Divinas a um homem.
“Entretanto, embora honrado pela solicitação de um anjo, nunca se vangloriou de dádiva tão alta.
“Não obstante contemplar a sedução que Jesus exercia sobre os doutores, nunca abandonou a sua carpintaria.
“O mundo não tem outras notícias de suas atividades senão aquelas de atender às ordenações humanas, cumprindo um édito de César e as que no-lo mostram no templo e no lar, entre a adoração e o trabalho.
“Sem qualquer situação de evidência, deu a Jesus tudo quanto podia dar.
“A ele deve o cristianismo a porta da primeira hora, mas José passou no mundo dentro do divino silêncio de Deus”.

Pilares da família
Se observarmos à nossa volta, não será difícil identificar numerosos dedicados pais, cuja discrição em cumprir seus nobres deveres nos faz lembrar o exemplo de José da Galileia.
A maioria deles, provavelmente, não terá seus nomes catalogados pela História; contudo, o resultado de seus esforços educativos se prolongará nas virtudes que souberem desenvolver nos filhos ou nos bons frutos de nobilitantes obras realizadas. Nas árvores genealógicas em que estão inseridos e com a qual decididamente colaboram, poderão ser reconhecidos como seus grandes pilares. 
Por vezes silenciosos, mas atuantes, ao lado de suas companheiras, nossas generosas mães, promovem a sustentabilidade da luminosa instituição da Família. No seio delas, quando sob a proteção de Deus, a paz mundial encontra campo fértil de semeadura e germinação. 
Aproveito para saudar também meu querido pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000). Quanto aprendi com ele! Recentemente comentava com alguns auxiliares que foi ele quem me instruiu sobre a expressão latina “Fiat Lux”, extraída do livro Gênesis, de Moisés, 1:3 e 4: “E disse Deus: ‘Faça-se a Luz!’ E houve Luz. E viu Deus que era boa a Luz; e fez a separação entre a Luz e as trevas”. De seus bondosos ensinamentos, sempre junto do amor de minha mãe, Idalina Cecília (1913-1994), muita claridade se fez em meu aprendizado juvenil.
Aos pais que me honram hoje com sua leitura, as homenagens de todos nós da LBV.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com

quarta-feira, 29 de julho de 2015

ARTIGO

Caridade e estratégia


Paiva Netto

Caridade rima com amizade. E não apenas pela fonética. Sua ação está intrinsecamente ligada ao gesto cordial de esclarecer e amparar os menos instruídos. Pela passagem do Dia da Caridade (19/7) e do Dia Internacional do Amigo, comemorado em 20/7, recorro à nova edição de Cidadania do Espírito, na qual destino um capítulo ao significado do termo Caridade, convidando o leitor a refletir sobre essa ferramenta imprescindível, em minha opinião, para ajustar os mecanismos de uma sociedade, ainda hoje regida pelo individualismo, seja no âmbito particular ou coletivo, levando os povos à secura de alma, isto é, à ausência da solidariedade, da fraternidade nos relacionamentos humanos e sociais. Aqui, alguns trechos do tema. Espero que apreciem: 
A Caridade não é um sentimento de tolos. É uma estratégia de Deus, que estabelece nos corações a condição ideal para que se trabalhe, governe, empresarie, administre, pregue, exerça a ciência, elabore a filosofia e se viva, com espírito de generosidade, a religião.
Quando há Amor Fraterno, incontrastável empenho e consagrada competência, que se desenvolve com labor e zelo — desde a fixação de um simples prego na madeira (creia no seu valor próprio!), não existem limites para o alicerce de um mundo melhor.
Realizar o bem voluntariamente é uma das mais belas páginas de amor que o ser humano pode escrever. O Profeta Muhammad (570-632) — “Que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele!” — ensina: “Uma boa ação é aquela que faz aparecer um sorriso no rosto do outro”. A Caridade, aliada à justiça, é o combustível das transformações profundas. Sua ação é sutil, mas eficaz. A Caridade é Deus.

Reforma efetiva
Desumanidade resulta em desumanidade. Aí está, em resumo, a explicação do estado atual do planeta. Porém, com a riqueza de nosso espírito, podemos edificar um amanhã mais apreciável. Entretanto, nenhuma reforma será duradoura se não houver o sentido de Caridade atuando na Alma.
A Caridade é o centro gravitacional da consciência política, social, filosófica, científica, religiosa, de modo que — se o ser humano não tiver compreensão dela — deve esforçar-se para entendê-la, a fim de que venha a subsistir em sua própria intimidade pessoal. Não há céu mais auspicioso do que o coração, quando iluminado pelas forças do Bem. Ela é o divino sentimento que nos mantém vivos. Por toda a existência, mormente na hora da dor, ao invés de lamentações, não nos esqueçamos dela e a pratiquemos com devoção. Trata-se de um grande medicamento para a alma.
A Caridade é a prova do poder do Espírito em construir promissoras épocas para as criaturas e seus povos. Não há maior inspiração para a boa política do que ela. Absurdo?! O tempo mostrará que não. Aliás, já está mostrando.


José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.