Síndrome de Down
Paiva Netto
A Secretaria de
Direitos Humanos, em 21/11/2011, informou em seu site (www.direitoshumanos.gov.br) que “a III
Comissão da Assembleia-Geral das Nações Unidas (AGNU) adotou, por consenso, o
projeto de resolução apresentado pelo Brasil, intitulado ‘World Down Syndrome
Day’ (Dia Mundial da Síndrome de Down). A data será comemorada a partir de
2012. A ONU propôs que os Estados membros comemorassem com a adoção de medidas
para promover maior conhecimento sobre a Síndrome de Down”.
A Organização
Mundial da Saúde estima que cerca de 5% da população de um país em tempo de paz
apresenta algum tipo de deficiência intelectual. No Brasil, isso corresponde a
quase 10 milhões de pessoas. Entre as mais conhecidas está a síndrome de Down.
RECOMENDAÇÕES AOS
PAIS E EDUCADORES
Em entrevista ao programa “Sociedade Solidária”, da
Boa Vontade TV (canal 20 da SKY), a terapeuta ocupacional Fabiana Alencar,
especialista no assunto, abordou algumas recomendações aos pais e educadores no
trato com crianças portadoras de deficiência intelectual.
Por natureza, a
criança com síndrome de Down tem um processo de desenvolvimento mais lento.
Contudo, se houver uma intervenção precoce, com o imprescindível apoio da
família, ela vai longe. Hoje é muito comum ver pessoas com síndrome de Down
trabalhando e, até mesmo, se casando”, esclareceu ela.
Porém, faz uma
ressalva: apesar dos avanços, o portador da deficiência necessitará, durante
toda a vida, de alguns cuidados especiais. “Até por conta do comprometimento
intelectual, da dificuldade em compreender as regras sociais. Entretanto, é uma
pessoa que pode (tendo uma supervisão) morar numa residência apoiada. É
importante trabalhar essas crianças vislumbrando que, no futuro, elas possam
fazer sua própria comida, cuidar das suas roupas, lidar com dinheiro, mas é
preciso ensiná-las e supervisioná-las sempre”, pontuou a terapeuta.
É notório o
amadurecimento da sociedade com relação aos direitos e desenvolvimento de
pessoas com deficiência. As escolas especiais ainda existem, mas as regulares
já disponibilizam vagas para crianças com deficiência intelectual. “Trabalhei
numa instituição de educação especial, e era impressionante. Tínhamos adultos
de 20, 30 anos, que passaram a vida inteira nela, porque não tinham outra
oportunidade. Hoje se vislumbram algumas coisas diferentes para essa geração de
pessoas com síndrome de Down, que para as outras não eram tão comuns. Nos dias
atuais, a criança com deficiência está na escola para, quando ela se formar,
poder, por exemplo, trabalhar. Já temos pessoas com síndrome de Down que
conseguiram entrar para a faculdade”, conta Fabiana.
Sobre os desafios da
integração dessas crianças no universo escolar, explicou que “elas, desde muito
cedo, em geral, fazem acompanhamento com fisioterapeuta, fonoaudiólogo e
terapeuta ocupacional. Uma vez ingressando na escola, já vão ter um arcabouço
de vivências, de conceitos e de conhecimento; porém, quando o processo começa a
se desenvolver, é muito importante o trabalho terapêutico com a escola.” E
esclareceu: “A gente procura trabalhar sempre, por exemplo, a repetição; para
essas crianças a repetição é muito importante. Muitas vezes o material que elas
vão usar é diferente do dos coleguinhas, mas elas precisam disso, e a escola
tem que ter disponibilidade de mudar, de tentar outros caminhos. Às vezes,
algumas professoras falam: ‘Ah, mas eu nunca tive experiência com isso, não
tenho formação para isso’. A formação, lógico, é importante! Mas também é
valiosíssimo ter disposição de mudar”.
Meus agradecimentos
à terapeuta ocupacional Fabiana Alencar. O tema nos remete ao respeito às
diferenças, passo primacial para o surgimento da tão sonhada sociedade
solidária, altruística e ecumênica.
José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
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