Brasília comemora 56 anos
Paiva Netto
Brasília
completa em 21 de abril 56 anos. Mas a ideia de transferir a sede do poder vem
desde o tempo do célebre Marquês de Pombal (1699-1782), primeiro-ministro do rei
português Dom José I (1714-1777),
que, no século 18, pretendeu fundar, no interior do Brasil colônia, a “Nova
Lisboa”.
Dom Bosco
(1815-1888),
o famoso Taumaturgo de Turim, em 30 de agosto de 1883, sonhou que “entre os
paralelos de 15º e 20º havia uma depressão bastante larga e comprida, partindo
de um ponto onde se formava um lago. Então, repetidamente, uma voz assim falou:
‘... quando vierem escavar as minas ocultas, no meio destas montanhas, surgirá
aqui a terra prometida, vertendo leite e mel. Será uma riqueza
inconcebível...’”
Sessenta
anos antes, José Bonifácio (1763-1838),
patriarca da Independência, apresentara um projeto para a mudança da capital do
Brasil para o centro do país, sugerindo-lhe o nome “Brasília”.
Em
4 de abril de 1955, o candidato à Presidência da República Juscelino Kubitschek (1902-1976), ao responder, em Jataí/GO, ao
estudante Antônio Soares Neto, o
Toniquinho, sobre a interiorização da capital brasileira, assumiu o compromisso
de, se eleito, cumprir a Constituição e transferi-la para o Planalto Central. E
assim, estabeleceu, em seu Plano de Metas, a construção de Brasília como
“meta-síntese”.
Em
fevereiro de 1957, as obras já estavam a todo vapor. Mais de 30 mil operários,
os candangos, chegavam de todas as partes do país, principalmente do Nordeste,
dando ritmo ininterrupto ao trabalho.
Em
tempo recorde, Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960. Nossa saudação a
tantos que realizaram esse feito heroico, incluídos os gaúchos pioneiros,
talentos a exemplo do porto-alegrense Remy
Flores Toscano (1914-2003), médico e amigo de JK, fundador do primeiro CTG
do Planalto Central.
Laços de amizade
Sou
da geração jovem em 1960. A maioria de nós vibrava enquanto a nova capital era
erguida. Vivíamos uma epopeia. Lá inaugurei — apoiado pela Juventude
Legionária, portanto com entusiasmo de moço —, em 21 de outubro de 1989, o
Templo da Boa Vontade. Em 1o de março de 1994, fiz colocar,
no TBV, quadro com a foto de JK. A solenidade ocorreu na Biblioteca Alziro
Zarur e teve a participação da saudosa dona Sarah Kubitschek (1909-1996). Naquela ocasião, ela assim se
expressou: “Quero agradecer a todos esta homenagem tão singela quanto
tocante. De fato, estou sentindo que Juscelino está aqui presente em espírito e
emocionado. Saio profundamente agradecida, pois o Templo da Boa Vontade é um
local de meditação, serenidade e harmonia. Já estive aqui antes e senti o
bem-estar que nos traz a visita a este Templo e convido a todos para que venham
sempre orar aqui. Que não deixem de vir para receber os efeitos elevados desta
Casa”.
Em
outra cerimônia, com grande felicidade, prestamos igual tributo a dona Sarah,
expondo seu belo retrato no mesmo local.
José de
Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
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